Minha Senhora de Mim

•Novembro 10, 2009 • Deixe um comentário

« Comigo me desavim
minha senhora
de mim

sem ser dor ou ser cansaço
nem o corpo que disfarço

Comigo me desavim
minha senhora
de mim

nunca dizendo comigo
o amigo nos meus braços

Comigo me desavim
minha senhora
de mim

recusando o que é desfeito
no interior do meu peito »

Minha Senhora de Mim, Editorial Futura, 1974 – Lisboa, Portugal

 

Porque tive o prazer de ontem conversar com esta senhora (de si), a quem poemas como este custaram muito caro, e que comprova mais uma vez quão grande pode ser a força de uma mulher. Eu podia dizer de uma pessoa, mas é mesmo de uma mulher. Com “M” grande.

Banda à parte

•Novembro 9, 2009 • Deixe um comentário

Ready, AbleGrizzly Bear

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I’m gonna take a stab at this,
sure you will be alright

Make a decision with a kiss
Baby I hold fast by it.

And when I trek alone back home
I need; shall I trek in the snow? (–)

Tissue and bones; it was a trick
This isn’t a gunfight.

Checking it off my list
Unable to rewrite.

Five years cast once and far alone.
Hope I’m ready, able to make my own;
goodbye.

They go we go, I want you to know, what I did I did,
They go we go, I want you to know, what I did I did.

.

Para quem ficar com vontade de ouvir mais, como eu: Myspace

O dia em que me encontrei com Francis Ford Coppola

•Novembro 9, 2009 • 1 Comentário

DSCN2030

«I do cinema because i’m fascinated by it.»

Francis Ford Coppola despejou-nos cinema em cima ontem à noite, na apresentação de “Tetro”, no Estoril Film Festival. O senhor Godfather fez uma autêntica declaração de amor à sétima arte diante de uma sala tão cheia quanto tentada a beijar-lhe o anel. Alguns tiveram mesmo alguma dificuldade em conter-se. Afinal, não é todos os dias que se está perante o criador de peças históricas do cinema como “Apocalypse Now” (1979), “Drácula de Bram Stoker” (1992) ou a trilogia “O Padrinho” (1972/74/90). «I would have never made the second one, if I got to choose at the time». E ouvem-se vários “auch!” mudos na plateia. Regozijados depois pela paixão com que Coppola, mais solto do que nunca da ditadura hollywoodesca e a viver de facto “uma Segunda Juventude”, diz hoje orgulhar-se de fazer os filmes que quer, como quer e para quem quer.

“Tetro” não é excepção. Pago do seu bolso, o realizador admite não ter de preocupar-se sequer com o feedback das bilheteiras, o que de resto terá sido um dos motivos para filmar na Argentina: era mais barato (usou quase exclusivamente profissionais locais) e um país onde se imaginava a viver bem durante um ano.

Para contar a história do reencontro entre dois irmãos separados à força de um grande segredo – lembramo-nos de “Rumble Fish – Juventude Inquieta” (1983) -, o realizador pintou a tela de preto e branco (deixando a cor para os flashbacks), usou Buenos Aires como cenário e recorreu à dança, ao teatro e ao cinema para contar a história na qual, mais uma vez, a família tem o papel principal.

«It’s not autobiographical but it’s the closest I’ve written about my own family.» Só não há tango. «He specificly said: no tango», atirou a colaboradora. O elenco foi por intuição. E que acertada que foi. No grande ecrã brilham Vincent Gallo, Alden Ehrenreich e a espectacular Maribel Verdú.

Coppola falou da relação com os actores. Do gosto pelo improviso, na fé que deposita no futuro do cinema que de resto prevê que será cada vez mais permeável  a uma maior maleabilidade. Sugeriu mesmo que os realizadores cheguem ao ponto de apresentarem as suas obras como músicos num concerto: adaptados a cada plateia. Recebeu uma garrafa de vinho como presente, homenagem ao produtor de vinhos que também é, mas  preferiu não desviar a conversa. Trabalho é trabalho, conhaque é conhaque. Nós agradecemos. E o tempo voou.

Coppola orgulha-se de pagar os próprios filmes, e não ter de preocupar-se com o feedback das bilheteiras. O que de resto foi um dos motivos para filmar “Tetro” na Argentina: porque era mais barato (usou apenas profissionais locais) e porque era um sítio onde se imaginava a viver bem durante um ano.

E se todos os spots publicitários fossem assim?

•Novembro 8, 2009 • 1 Comentário

III Estoril Film Festival – “Foxy” times

•Novembro 7, 2009 • Deixe um comentário

binoche

Juliette Binoche é actriz, é mulher, é mãe, mas também pinta e resolveu tentar a dança aos 44 anos. 20090823_binoche_ann_loranTudo isto descobri ontem, na apresentação do documentário “Juliette Binoche dans les yeux”, de Marion Stalens, no Estoril Film Festival. O evento presta homenagem à artista e contou com a presença das duas, actriz e realizadora, também irmã de Binoche.

O filme é um magnífico trabalho de partilha, que mostra de forma envolvente e criativa a mulher forte, independente, vencedora de um Óscar que não tem medo que a vejam sem maquilhagem em grande plano num ecrã de vários metros de altura, mulher de uma beleza comovente e artista em estado puro que é Binoche. A homenagem que o Estoril Film Festival lhe presta estende-se a vários filmes que fazem a retrospectiva da sua carreira e ainda a uma exposição de pinturas, retratos e poemas da artista intitulada Portraits In Eyes.

 

De resto registo também aqui outra pérola do certame deste ano. Chama-se “O Fantástico Sr. Raposo”, de Wes Anderson.

fantastic-mr-fox

Exibido anteontem em ante-estreia (com uma vergonhosa hora de atraso…) a aventura do realizador de “The Darjeeling Limited” e “Um Peixe Fora de Água” pela animação é um deleite para os olhos e para a disposição de qualquer um. A começar está o toque brilhante das vozes de George Clooney, Bill Murray, Owen Wilson e Meryl Streep por trás das personagens.

Depois, os bonecos. São tão giros que dá vontade de agarrar. E claro, a história deliciosa e completamente non sense da raposa com problemas existenciais, dividida entre o seu lado selvagem e a responsabilidade familiar, que decide recomeçar a assaltar aos galinheiros vizinhos e acaba por meter a sua família e comunidade “supostamente selvagem” em sarilhos. Trata-se da adaptação do livro homónimo de Roald Dahl, autor de “Charlie e a Fábrica de Chocolate” e “James e o Pêssego Gigante”.

Enfim, irónico, bem humorado, e com aquele toque de animação à antiga (parece que Anderson é mesmo avesso às “Pixars”), “O Fantástico Mr. Fox” é sem dúvida um filme para  ver e chorar (a rir) por mais.

Estoril Film Festival

•Novembro 4, 2009 • 1 Comentário

estoril

Esta será a minha segunda casa nos próximos dias. Do mega cardápio do sr. Paulo Branco já agendei, para já, as seguintes provas:

Dia 5
fantástico sr fox

22h30 ESTREIA  “O Fantástico Sr. Raposo”

Wes Anderson

Trailler

 

 

Dia 7

laco

22h00 “O Laço Branco”
(vencedor da Palma de Ouro)

Michael Haneke

Trailler

 

 

Dia 8

moon

 

18h00 ESTREIA “Moon”

Duncan Jones

Trailler

 

 

 

tetro

20h30 ESTREIA “Tetro”

+ Encontro com Francis Ford Coppola

Trailler


 

Dia 9

fly04

Homenagem David Cronemberg

17h00 “A Mosca” (1986)

Trailler

 

 

 

 

Dia 10

crash

Homenagem David Cronemberg

21h00 “Crash”(1996)

Encontro com Cronemberg

Trailler

 

 

 

paris

 

Homenagem Juliette Binoche

00h15 “Paris”

Cédric Klapish

Trailler

Dia 12

girlfriend

22h00 ESTREIA “The Girlfriend Experience”

Steven Soderbegh

Trailler

 

 

 

Dia 13

antichrist

00h00 ESTREIA “Antichrist”

Lars Von Trier

Trailler

 

 

Anyone cares to join?

22:00

O Laço Branco – Michael Haneke

O Som da Frente

•Novembro 4, 2009 • Deixe um comentário

« Com que então, morreu António Sérgio. Ora muito obrigado. Obrigado, Deus, por teres decidido. E obrigado, António, por te teres deixado levar. Veio mesmo a calhar a tua morte. O teu trabalho aqui na terra estava mais do que acabado e, graças a Deus, há centenas de novos Antónios Sérgios para te substituir. Que grande pontaria.

O que andam vocês todos a tramar na afterlife? A afterlife é a mais cool de todas as after hours. Não é música toda a noite e todo o dia: é música toda a cabrona da eternidade. Já lá estava uma redacção de sonho: o Rolo Duarte, o Fernando Assis Pacheco,o Cáceres Monteiro, o Manuel Beça Múrias, o Afonso Praça, a Edite Soeiro, o Eduardo Guerra Carneiro. Com uns colaboradores que já não existem e cujos nomes são tantos e tão grandes que não nomeio sequer um, com medo de vos deprimir com a comparação com a lista dos que ficámos vivos.

Que jornal; que revista; que estação de rádio estão vocês a fazer aí no pós-vida? Não lá em cima, no céu, mas aqui ao lado, paralelamente, no after, no depois, no enquanto estamos a dormir e a viver.

A morte de tanta gente boa faz-me acreditar que, quando cada um de nós morrer, seremos bem recebidos. Haverá bons inéditos; bons jornais; boa música; bom cinema. Imaginem só Bach, Wagner, John Lennon, Ian Curtis, Stockhausen – e, para apreciar e descobrir o resultado, António Sérgio.

Como sempre, adiantaste-te. E nós vamos atrás de ti. Está certo. Foi sempre assim.»

por Miguel Esteves Cardoso, ontem no Público

Morreu o senhor que eu gostei de estudar

•Novembro 3, 2009 • Deixe um comentário

claude_levi-strauss

«Numa entrevista em 2005, Lévi-Strauss disse: “Dirigimo-nos para uma espécie de civilização à escala mundial (…) Estamos num mundo a que já não pertenço. Aquele que conheci, aquele de que gostei, tinha 1500 milhões de habitantes. O mundo actual tem seis mil milhões de humanos. Já não é o meu.»

hoje no Público

António Sérgio (1950-2009)

•Novembro 2, 2009 • Deixe um comentário

sergio

 

«- Há quantos anos fazes rádio?

- Há 41. E não estou farto.»

 

Há pouco, à chegada a Lisboa depois de um fim-de-semana de retiro, naquele momento em que se começa a percorrer o filão de carros e carrinhas, lado a lado com gigantes de metal e chaminés fumegantes, e o Tejo, e as colinas, repeti o gesto mecânico de sempre que é desligar o leitor de CD (ou mudar de estação) e sintonizar a 97.8 Fm. Ouvia-se “She’s Lost Control” dos Joy Division, e logo a seguir a Inês Meneses dedicou o tema a António Sérgio. Estranhei. A seguir veio outra. Outra vez Ian Curtis. Percebi. O senhor da rádio tinha partido e deixado este mundo pobre de um dos seus maiores melómanos. Vou sentir saudades da (omni)presença radiofónica de António Sérgio. Da voz, das sugestões, do ‘Viriato 25′ nas noites da Radar.

•Novembro 2, 2009 • Deixe um comentário