
Juliette Binoche é actriz, é mulher, é mãe, mas também pinta e resolveu tentar a dança aos 44 anos.
Tudo isto descobri ontem, na apresentação do documentário “Juliette Binoche dans les yeux”, de Marion Stalens, no Estoril Film Festival. O evento presta homenagem à artista e contou com a presença das duas, actriz e realizadora, também irmã de Binoche.
O filme é um magnífico trabalho de partilha, que mostra de forma envolvente e criativa a mulher forte, independente, vencedora de um Óscar que não tem medo que a vejam sem maquilhagem em grande plano num ecrã de vários metros de altura, mulher de uma beleza comovente e artista em estado puro que é Binoche. A homenagem que o Estoril Film Festival lhe presta estende-se a vários filmes que fazem a retrospectiva da sua carreira e ainda a uma exposição de pinturas, retratos e poemas da artista intitulada Portraits In Eyes.
De resto registo também aqui outra pérola do certame deste ano. Chama-se “O Fantástico Sr. Raposo”, de Wes Anderson.

Exibido anteontem em ante-estreia (com uma vergonhosa hora de atraso…) a aventura do realizador de “The Darjeeling Limited” e “Um Peixe Fora de Água” pela animação é um deleite para os olhos e para a disposição de qualquer um. A começar está o toque brilhante das vozes de George Clooney, Bill Murray, Owen Wilson e Meryl Streep por trás das personagens.
Depois, os bonecos. São tão giros que dá vontade de agarrar. E claro, a história deliciosa e completamente non sense da raposa com problemas existenciais, dividida entre o seu lado selvagem e a responsabilidade familiar, que decide recomeçar a assaltar aos galinheiros vizinhos e acaba por meter a sua família e comunidade “supostamente selvagem” em sarilhos. Trata-se da adaptação do livro homónimo de Roald Dahl, autor de “Charlie e a Fábrica de Chocolate” e “James e o Pêssego Gigante”.
Enfim, irónico, bem humorado, e com aquele toque de animação à antiga (parece que Anderson é mesmo avesso às “Pixars”), “O Fantástico Mr. Fox” é sem dúvida um filme para ver e chorar (a rir) por mais.
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