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Jardinar

Se o CoolJazzFest leva a oferta ecléctica de jazz e world music aos jardins de Mafra, Oeiras e Cascais, a Fundação Gulbekian tem o seu próprio espaço e mais uma vez transforma-o em palco de variadíssimas iniciativas artísticas e culturais. Uma delas é a exposição Toldos no Jardim integrada no programa Distância e Proximidade, uma das iniciativas que celebra a interculturalidade. Também concertos, como o da Orquestra Gulbenkian, dirigida pelo maestro chinês Muhai Tang, música afro-beat e o concerto do cantor e compositor brasileiro Arnaldo Antunes nos dias 19 e 20 de Julho. A sétima arte também está presente na Fundação, hoje e amanhã; Hiroxima Meu amor (1959) de Alain Resnais é o primeiro filme a ser exibido noite. Amanhã o projecto Tão Perto/Tão Longe apresenta 10 curtas-metragens que contam a história de um objecto, figura, prática cultural ou artística.

Em colaboração com a Associação de Imprensa Estrangeira em Portugal estão também previstas para a cafetaria do Centro de Arte Moderna da fundação conversas informais com jornalistas estrangeiros sobre encontros e desencontros culturais, e uma conferência final com mais de uma dezena de intervenções sobre o tema da Interculturalidade. Inciativas pertinentes e que demonstram como o Verão, as férias ou tempos livres podem ser aproveitadas de forma bem construtiva e nem sequer é preciso sair…do jardim.

«they don’t know who I really am»

«All of these lines across my face
Tell you the story of who I am
So many stories of where I’ve been
And how I got to where I am»

Chama-se Brandi Carlile e é por trás da carinha quase (?) angelical que se esconde a voz do fabuloso tema The Story popularizado pelo mais recente spot da Super Bock. Um anúncio aliás com o seu quê de cinematográfico. A marca já tem tradição de boas produções a nível da publicidade, mas agora chegou ao ponto (desconheço se o fez anteriormente) de até ter um director’s cut, disponível no youtube. De resto a marca já se aproximava cada vez mais à sétima arte, mais não seja com a campanha, idealizada pela FullSix, com claims como Querida Encolhi a cerveja, Bocky Balboa, Nove Cervejas e Meia ou SpiderBock.

Mas voltando a Carlile esta menina fez as primeiras partes de artistas como Tori Amos e Indigo Girls e lançou há um ano o álbum homónimo ao tema que a lançou, The Story, o segundo da curta carreira. Segundo consta em 2005 a Rolling Stone já a incluía no lote de dez artistas a ter debaixo de olho. Um pouco atrasada, mas deixá-la-ei pelo menos debaixo do ouvido, seguramente. A dica foi dela.

Novo Anúncio Super Bock (Director’s Cut)

Appuntamento

Ieri è stato come se il pezzo che mancava nell puzzle ci è stato riagiunto. 

Ieri abbiamo fatto la festa giusto come se il tempo non è stato transcorso. Altrimenti sì, però in una buona maniera. Ieri mi sono accorgia di che insieme (ancora) facciamo la magia, e ancora piú con le nostre mettà insieme a noi (una di meno, purtroppo). Pure che la magia dei nostri momenti già non si fa solamente della mancanza di qualcosa passata se no dell presente e dell futuro.

‘A fare l’amore cominciamo noi’.

Ci vediamo, matto. Prossima volta in Belgica, no?

 

 

Riders on the storm, The Doors

Afinal ela ainda (en)canta

Free Nelson Mandela - Amy Winehouse com Jerry Dammers

Hyde Park, Londres, 27 de Junho de 2008

Aconteceu no mega-concerto de divulgação da fundação 46664, de Nelson Mandela, e tributo ao senhor que completa 90 anos no próximo mês. Diante de 50 mil pessoas, e os muitos milhões através da televisão, Amy Winehouse triunfou acompanhada pelo Coro de Gospel de Soweto e o autor da canção Jerry Dammers. Para os mais desgostosos com o ‘espectáculo’ no Rock In Rio (como eu) uma ‘audivisão’ reconfortante. Dica deles, claro.

Do feminino

« Todo o ser humano do sexo feminino não é, portanto, necessariamente, mulher; cumpre-lhe participar dessa realidade misteriosa e ameaçada que é a feminilidade. Será esta segregada pelos ovários? Ou estará cristalizada no fundo de um céu platónico? Bastará um saiote de folhos para fazê-la descer à terra? Embora certas mulheres se esforcem por encarná-lo zelosamente, o modelo nunca foi registado. »

Simone de Beauvoir in O Segundo Sexo (1949)

No ano do centenário do seu nascimento ela e outras mulheres que ousaram fazer ouvir as problemáticas da (des)igualdade do género durante toda a história da ‘home(n)idade’ serão lembradas no Congresso Feminista que arranca na próxima quinta-feira em Lisboa.  No último Câmara Clara um interessantíssimo tête à tête com a historiadora Irene Pimentel e Rui Zink abriu a semana em que a UMAR - União de Mulheres Alternativa e resposta organiza o evento, oitenta anos volvidos e muito soutien queimado depois do último, em 1928.

Le Cirque Invisible

A fotografia serve de aperitivo, diz -se invisível mas o que Victoria Chaplin e Jean-Baptiste Thierrée trazem a Lisboa parece primar precisamente pela excelência visual. São marido e mulher e há quem os responsabilize pela criação do chamado “Novo Circo”. Só o peso do apelido dela, filha do grande mestre, já faz desconfiar. Juntando a isso as imagens que vi fazem-me desconfiar de que o espectáculo dos senhores na Culturgest, de 27 de Junho a 1 de Julho, é mais do que digno de uma visita.

Da sala escura

O meu Irmão é filho único (2007)

“La vita va presa così, un pò per il culo”.

Latina, Década de 60. Na cidade criada 30 anos antes pelo ‘Duce’ uma família proletária desdobra-se em esforços para manter a casa de pé (literalmente) e multiplica-se em discussões por tudo e mais alguma coisa. Sobretudo pelo filho mais novo. Elio Germano é Accio, o caçula intelectual e preterido pelos pais que tenta chamar a atenção e ao mesmo tempo repeli-los o máximo que pode e de todas as formas que encontra. Depois do seminário, que não termina, decide dedicar-se ao fascismo. Manrico (Riccardo Scamarcio), o irmão mais velho e comunista convicto, trabalha como operário numa fábrica, a mesmo de cujo telhado grita a Revolução, e tenta mudar à pancada o irmão que «não percebe a quem foi sair». De cada lado da geografia política como das saias da mãe acompanhamos o relacionamento dos dois irmãos (com uma irmã no meio) enquanto pensamos certos exageros quase caricaturais de cada uma das antagónicas ideologias. E claro, no meio disto tudo há duas fortes presenças femininas, a incontornável Mamma e a mulher que rouba o coração…de ambos.

Cheio de referências históricas e com muito ritmo, mesmo musical, a ideia não é nova, repete elementos quase omnipresentes no cinema italiano (luta de classes, guerras ideológicas, famílias conflitosas), mas o resultado é bom. Inspirado no romance Il Fasciocomunista, de Antonio Pennacchi, Daniele Luchetti realiza uma história simples mas envolvente que tem como fio condutor o clássico conflito entre irmãos, que aliás nos remete imediatamente para um ‘A Melhor Juventude’. Depois de ver o filme percebi: são ambos assinados pela mesma dupla de argumentistas, Sandro Petraglia e Stefano Rulli. Não será tão brilhante como o de 2003, mas é igualmente aconselhável.

Cena pós-rock em…Braga!

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A cidade dos arcebispos prepara-se para receber um evento sem precedentes - o muB, Festival de Música Urbana 08. Do evento só consigo premeditar algo de bom, mais não seja diversidade. Não só pela carência da cidade por coisas do tipo, como pelo facto de o país, tão repleto de festivais de Verão, não ter ainda nenhum dedicado ao género. O muB vai contar com 15 bandas da cena pós-rock e ambiental do país e de fora como os La Muneca de Sal, I Like Trains ou Your Ten Mofo. Não conheço, mas parecem-me bem.

Interessa referir que normalmente o rótulo “pós-rock” não é consensual entre artistas e bandas, oriundo do início dos anos 90, quando algumas bandas iniciaram a ousada proposta de unir elementos do rock alternativo com jazz, música electrónica e rock progressivo, como os The Velvet Underground; sofreu influências de grandes génios da composição minimal como Phillip Glass e Brian Eno, e hoje é-nos familiar através de nomes como Sonic Youth, Mogwai ou Sigur Rós (alguns do que, apesar de tudo, negam o rótulo).

Além da novidade de dedicarem um festival ao género (?) há também a do espaço inusitado: o surpreendente (confesso que ainda não visitei depois da reabertura) Museu de Arqueologia D. Diogo de Sousa e ainda juntar-lhe alguma animação cultural. A expectiva da organização é ousada: média de 4 mil visitantes por dia. Espero que os bracarenses o sejam também. O Festival acontece dias 11, 12 e 13 de Julho.

«Nice Dream»

CoolJazzFest

Palavras para quê?

Aviso que o preço dos bilhetes não ficará muito em conta (custam entre 25 a 60 euros) porém a avaliar pelos nomes em cartaz, e sendo que se tratam de concertos isolados (um por noite, portanto), creio que qualquer argumento cai por terra para tomá-los por ‘caros’. Definitivamente um dos mais ricos cartazes a brilhar no nosso Verão festivaleiro. Mais info aqui.