Eu fui (porque não pago entrada)

Parque da Bela Vista

Com uma primeira noite de 90% de trabalho e o restante a espreitar o possível do perturbante concerto da estrela decadente Amy Winehouse e algumas melodias míticas de um Kravitz pujante, registo sobretudo a perplexidade diante da massa humana que cobriu o Parque da Bela Vista, na passada sexta-feira. Apesar do pretexto musical ser bastante defraudado pelas quase hipnóticas campanhas de marketing e comércio que forram o evento a marcas e logotipos, já para nem falar da causa ambientalista, o recinto é, de facto, imponente. Quanto a críticas deixo a (excelente) narração do momento Amy a cargo dele e subscrevo.

Alanis Morissette

Ontem sim, à paisana, lá consegui descobrir em condições a Cidade do Rock. Ou pelo menos o que o mar de gente – e eventualmente pessoas – permitiu. Deu para dar um pezinho na Electrónica, (es)preguiçar nos puff’s do Espaço Fashion, rir das figurinhas dos karaokes a troco de bóias gigantes, bonés e t-shirts…enfim. Que se desenganem uns e outros críticos que se cingem à qualidade dos concertos, é perfeitamente óbvio que o Rock In Rio é um festival acima de tudo comercial e de massas. Como tal os concertos vão inevitavelmente cair no automático, no previsível, na moldura ‘Thank you so much! Obrigado! It’s so good to be back in Portugal’. É aquilo, é assim. Para ter boa música vai-se a um Sudoeste, ecologia a um Andanças, música ecléctica a Sines, tendinhas interessantes ao Avante.

Apesar de tudo, e voltando aos concertos, tenho para mim que a Alanis conseguiu uma das melhores performances do evento, mesmo antes de ver os outros. Num misto de temas recentes com as inevitáveis revisitas ao genial ‘Jagged Little Pill’ - quanto a mim um dos discos do século – o furacão do rock no feminino (e a classificação não poderia fazer mais sentido depois de ver uma Alanis com mais curvas, mas loirinha, mais mulher) nunca Ironic me soou tão bem nos ouvidos. Sobretudo acompanhada pelo coro dos milhares que afundavam no extraordinário anfiteatro natural da Bela Vista. A seguir, depois do Sanz, não resisti a esse reencontro: Bon Jovi, 13 anos depois. Divertido, foi também surpreendente assitir à explosão de energia e saúde do verdadeiro stage man, o Jon himself, por quem parece que os anos não passaram e os deslavados temas mais recentes não deixam desmanchar a voz irrepreensível.

Hoje, no dia mundial dos pequenitos, fiquei a recarregar baterias (depois de uma manhã de labuta). Regresso para o ‘dia dos metaleiros’, seguido do dia mais cintilante do cartaz a cargo dos Muse, Offspring e Kaiser Chiefs. Novamente a trabalho espero MUITO conseguir dar umas boas escapadelas.

~ por Filipa Queiroz em Junho 1, 2008.

Deixar uma Resposta