Da sala escura

O meu Irmão é filho único (2007)

“La vita va presa così, un pò per il culo”.

Latina, Década de 60. Na cidade criada 30 anos antes pelo ‘Duce’ uma família proletária desdobra-se em esforços para manter a casa de pé (literalmente) e multiplica-se em discussões por tudo e mais alguma coisa. Sobretudo pelo filho mais novo. Elio Germano é Accio, o caçula intelectual e preterido pelos pais que tenta chamar a atenção e ao mesmo tempo repeli-los o máximo que pode e de todas as formas que encontra. Depois do seminário, que não termina, decide dedicar-se ao fascismo. Manrico (Riccardo Scamarcio), o irmão mais velho e comunista convicto, trabalha como operário numa fábrica, a mesmo de cujo telhado grita a Revolução, e tenta mudar à pancada o irmão que «não percebe a quem foi sair». De cada lado da geografia política como das saias da mãe acompanhamos o relacionamento dos dois irmãos (com uma irmã no meio) enquanto pensamos certos exageros quase caricaturais de cada uma das antagónicas ideologias. E claro, no meio disto tudo há duas fortes presenças femininas, a incontornável Mamma e a mulher que rouba o coração…de ambos.

Cheio de referências históricas e com muito ritmo, mesmo musical, a ideia não é nova, repete elementos quase omnipresentes no cinema italiano (luta de classes, guerras ideológicas, famílias conflitosas), mas o resultado é bom. Inspirado no romance Il Fasciocomunista, de Antonio Pennacchi, Daniele Luchetti realiza uma história simples mas envolvente que tem como fio condutor o clássico conflito entre irmãos, que aliás nos remete imediatamente para um ‘A Melhor Juventude’. Depois de ver o filme percebi: são ambos assinados pela mesma dupla de argumentistas, Sandro Petraglia e Stefano Rulli. Não será tão brilhante como o de 2003, mas é igualmente aconselhável.

~ por Filipa Queiroz em Junho 22, 2008.

Uma Resposta to “Da sala escura”

  1. Uma boa surpresa, este filme. A companhia é que.. pronto. ;) Já estás a caminho, entretanto? :)

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