Still Alive

Foto R.Carmo - Blitz

Não podia ter terminado de forma mais brilhante. O tremendo concerto de Ben Harper and The Inocent Criminals depois do surpreendentemente jovem Neil Young devolveram os pontos perdidos ao festival que no dia anterior baixou a fasquia com concertos demasiado antagónicos e uma prestação abaixo das expectativas da not so alive lenda viva do folk rock. Aliás o que valeu a Bob Dylan foi ter mudado o registo (para um ritmo mais blues) que fez com que a prestação da banda compensasse a voz desfalecida e prestação descaracterizada do senhor. Young esse sim em grande forma e Harper uma presença irrepreensível. O homem que se atreveu a fazer um dueto com o público e teve fenomenal feedback - ou terá sido apenas Good Luck (Boa Sorte)? -, e nos fez estender as mãos e gritar ao rubro que é possível mudar o mundo With our Own To Hands.

Infelizmente do palco secundário pouco vi. É uma gestao complicada de fazer. De Gossip, que actuaram ao mesmo tempo que Neil Young no palco Metro On Stage, só consegui ouvir ao longe os últimos pujantes acordes de Standing in the Way of Control e Cansei de Ser Sexy e Nouvelle Vague nem vê-los. Nem eu nem ninguém, as primeiras adiaram e os segundos tiveram o voo cancelado. Bad luck. Mas mesmo com os percalços o saldo é positivo, acho francamente que o recinto está bem conseguido, bem como a organização. Aliás o voto de quem veio de fora - e foram muitos - é óptimo ao que consta. Francamente o que mais desaponta é mesmo o público. Na última noite até apeteceu lançar um manifesto contra as pessoas que não sabem respeitar quem assiste um concerto e insiste - quais bichos carpinteiros - em mover-se de um lado para o outro. É oficial, o público dos festivais já não é o que era. A música deixou de ser o objecto mais desejado, em troca de brindes, passatempos, telemóveis, fotografias, etc, etc, etc. Enfim, valha-nos quem sabe e aproveita.

~ por Filipa Queiroz em Julho 13, 2008.

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