O dia em que me encontrei com Francis Ford Coppola

«I do cinema because i’m fascinated by it.»
Francis Ford Coppola despejou-nos cinema em cima ontem à noite, na apresentação de “Tetro”, no Estoril Film Festival. O senhor Godfather fez uma autêntica declaração de amor à sétima arte diante de uma sala tão cheia quanto tentada a beijar-lhe o anel. Alguns tiveram mesmo alguma dificuldade em conter-se. Afinal, não é todos os dias que se está perante o criador de peças históricas do cinema como “Apocalypse Now” (1979), “Drácula de Bram Stoker” (1992) ou a trilogia “O Padrinho” (1972/74/90). «I would have never made the second one, if I got to choose at the time». E ouvem-se vários “auch!” mudos na plateia. Regozijados depois pela paixão com que Coppola, mais solto do que nunca da ditadura hollywoodesca e a viver de facto “uma Segunda Juventude”, diz hoje orgulhar-se de fazer os filmes que quer, como quer e para quem quer.
“Tetro” não é excepção. Pago do seu bolso, o realizador admite não ter de preocupar-se sequer com o feedback das bilheteiras, o que de resto terá sido um dos motivos para filmar na Argentina: era mais barato (usou quase exclusivamente profissionais locais) e um país onde se imaginava a viver bem durante um ano.
Para contar a história do reencontro entre dois irmãos separados à força de um grande segredo – lembramo-nos de “Rumble Fish – Juventude Inquieta” (1983) -, o realizador pintou a tela de preto e branco (deixando a cor para os flashbacks), usou Buenos Aires como cenário e recorreu à dança, ao teatro e ao cinema para contar a história na qual, mais uma vez, a família tem o papel principal.
«It’s not autobiographical but it’s the closest I’ve written about my own family.» Só não há tango. «He specificly said: no tango», atirou a colaboradora. O elenco foi por intuição. E que acertada que foi. No grande ecrã brilham Vincent Gallo, Alden Ehrenreich e a espectacular Maribel Verdú.
Coppola falou da relação com os actores. Do gosto pelo improviso, na fé que deposita no futuro do cinema que de resto prevê que será cada vez mais permeável a uma maior maleabilidade. Sugeriu mesmo que os realizadores cheguem ao ponto de apresentarem as suas obras como músicos num concerto: adaptados a cada plateia. Recebeu uma garrafa de vinho como presente, homenagem ao produtor de vinhos que também é, mas preferiu não desviar a conversa. Trabalho é trabalho, conhaque é conhaque. Nós agradecemos. E o tempo voou.



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Tudo de Bom » Blog Archive » Os posts mais comentados do dia de hoje said this on Novembro 9, 2009 às 8:29 pm |