Um cantinho e dois violões

•Julho 27, 2008 • Sem Comentários

Kings of Convenience, CoolJazzFest - Cidadela de Cascais

Finalmente…aconteceu. Depois de Casa (da Música) cheia no Porto os meninos nerds do indie folk e vozes de mel chegaram Cascais. O cenário era perfeito. Num ambiente mais do que intimista, ao ar livre e em noite de Verão, os Kings of Convenience tocaram-nos…a alma. Com mais temas novos do que clássicos o deleite foi o mesmo. Mas Erlend Oye e Eirik Glambek encantaram não só com o talento como com as posturas de ambos que curiosamente se complementam. Torna-se óbvio depois dos primeiros temas que Glambek lidera a condução das músicas, mas o domínio das atenções é todinho de Oye. E a personagem com ar de desenho animado não chama as atenções apenas pela cabeleira ruiva e os óculos retro mas pelo talento como entertainer. Uma postura simpático-cómica que durou até ao fim do espectáculo e a certo ponto até fez estragos quando Oye se entusiasma demais nos acordes e desarranja a guitarra.

«Somos os Kings of Convenience. A parte da conveniência justifica-se em parte porque quando vamos tocar a algum lado apenas precisamos de levar duas guitarras conosco. Porque em 8 anos nunca nenhuma falhou não usamos suplentes. Esta noite foi a prova em contrário», gracejou Glambek. E a verdade é que nem chegou a ser assim tão inconveniente. A imprevista mudança de alinhamento foi superada pelos artistas de forma notável, isto quando já eram 4 em palco - juntaram-se a eles um violinista e um contra-baixista. Sem esquecer o instrumento extra de Oye, um mouth trumpet verdadeiramente espectacular (sim, o homem de repente parecia que tinha engolido um tropete, está registado aqui).

Mas a cereja no topo do bolo chegou quase no fim. Além de finalmente chegar Misread, e depois de saborear I’d Rather Dance With You, no encore Glambek apareceu sozinho com a guitarra e cantou, em português, Corcovado de Tom Jobim. Os olhos piscavam incrédulos. Para logo se desmancharem a rir com um a versão improvisada de Oye a descrever, no mesmo ritmo mas já em inglês, a história da viagem de comboio do Porto a Cascais. Terminou em «belezaaaa…», concerto e música. Provavelmente a única palavra em português, além de “obrigado”, que o norueguês sabia dizer. Para quem não se pode arrepiar lá, o momento também foi eternizado aqui.

Palavras para quê? Só faltou mesmo a Know-How mas a gente perdoa. Como não??

Foto: Claudia Costa (Diário IOL)

Ela comeu a Madonna

•Julho 23, 2008 • Sem Comentários

Me esquenta com o vapor da boca
E a fenda mela
Imprensando minha coxa
Na coxa que é dela

Dobra os joelhos e implora
O meu líquido
Me quer, me quer, me quer e quer ver
Meu nervo rígido

É dessas mulheres pra comer com dez talheres
De quatro, lado, frente, verso, embaixo, em pé
Roer, revirar, retorcer, lambuzar e deixar o seu corpo
Tremendo, gemendo, gemendo, gemendo

Ela ‘tava’ demais,
peito nu com cinco ou seis colares,
me fez levitar em meio a sete mares,
e me pediu que lhe batesse,
lhe arrombasse,
lhe chamasse de cafona, marafona, bandidona.

Fui eu quem bebi, comi a Madonna

Chegou com mais três amigas, cinta liga,
perna dura, dorso quente
toda língua e me encoxou
Me apertou, me provocou e perguntou:
Quem é tua dona? Quem é tua dona? É, é
Fui eu quem bebi, comi a Madonna

Ana Carolina

 

 

Palavras para quê? A declaração é poderosa e sai das entranhas de uma das maiores vozes femininas da cena musical brasileira actual. O fogoso tema “Eu comi a Madonna” integra o novo CD e DVD ao vivo da cantautora brasileira, com o título não menos sugestivo, “Dois Quartos”. O vídeo está AQUI.

 

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•Julho 20, 2008 • 2 Comentários

Le Château des Pyrenees, Renée Magritte

Pedras no caminho?
Um dia vou construir um castelo…

Fernando Pessoa

Livro vs E-Book

•Julho 20, 2008 • 1 Comentário

Mais uma pérola da Pó dos Livros, depois do delicioso clip artesanal sobre as variadíssimas utilidades do ‘Cartão Cliente‘, agora este ‘Livro vs E-Books’ propõe uma reflexão sobre o culto do livro tradicional entre a população mais tenra. Aliás o vídeo é precisamente obra de descendentes de livreiros empoeirados.

« One of the last true storys in Pop »

•Julho 20, 2008 • Sem Comentários

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Joy Division, o filme/documentário já está nas salas. Depois de Control (2007) de Anton Corbjin agora Grant Gee propõe o olhar nu e cru sobre a banda de Manchester e coloca o mito de novo na ribalta. 28 anos depois da morte de Ian Curtis os alegres sobreviventes Peter Hook, Stephen Morris e Bernard Sumner, entre outros, percorrem as memórias do grupo desta vez com materiais genuínos e uma narrativa documental. Só pode ser de consumo obrigatório - trailler.

Memórias de uma diva trágica

•Julho 15, 2008 • Sem Comentários

Para celebrar os 50 anos da passagem da diva por Portugal a Fundação EDP e o Teatro Nacional São Carlos apresentam a exposição ‘Maria Callas - A Exposição de Lisboa’, no Museu da Electricidade. Uma excelente oportunidade para conhecer ou reconhecer lembranças da maior soprano de todos os tempo em dezenas de vestidos e jóias complementados com gravaçãoes audio e visuais, bem como cartas, fotografias, e ainda aquele que foi o cenário original da passagem de Callas por Lisboa em 1958. Como se não bastassem motivos, a entrada é gratuita.

WALL.E phone home

•Julho 15, 2008 • Sem Comentários

Qualquer semelhança não é mera coincidência. O novo menino dos olhos da Pixar é mesmo ’a cara chapada’ do E.T.  de Spielberg. Inspirado no vagabundo de Charlie Chaplin e com o seu quê de R2D2 da Guerra das Estrelas, ao que consta o realizador e argumentista terá mesmo contratado o sound designer que criou a “linguagem” de R2D2 para dar personalidade e verosimilhança sonora ao WALL.E. E a coisa é feita a preceito. Sem exageros, sem humanizações, sem brinquedos falantes. O filme é coisa séria.

A história é soberba, apesar de assustadoramente realista. E triste. Um robô solitário numa Terra devastada do futuro que colecciona recordações ’humanas’ e um dia vai parar à nave que alberga os únicos sobreviventes da espécie que há 7 mil anos deixou a terra. Uma visão altamente satírica de um monte de humanos gordos e inúteis, perfeitamente alienados (e o termo não poderia fazer aqui mais sentido) de e da Humanidade e que é confrontado com a hipótese de recolonização da Terra depois de ter sido encontrado nela uma planta, prova da regeneração do planeta. Com muito humor e montanhas de referências históricas e a grandes clássicos do cinema e da literatura (o maior a 2001 Odisseia no Espaço de Kubrick) nem falta o romance, protagonizado por…dois robôs - WALL.E e Eva. Embora não seja claramente dirigido aos mais novos, é uma verdadeira lição que os pais mais pacientes não devem deixar de dar. Mais não seja com uns abanões tipo…

“- Vês Joãozinho, é assim que tu e os teus amigos vão ficar se não levantarem o rabinho do sofá, pararem de comer essas porcarias e não desviarem os olhos do computador e do telemóvel por mais de 5 minutos por dia.” 

Afinal já somos dos mais baixos e gordos da Europa. Sempre nos melhores rankings. E fora toda a parte ecológica, que às vezes parece que nem mil Gervásios conseguem fazer passar a mensagem…

Still Alive

•Julho 13, 2008 • Sem Comentários

Foto R.Carmo - Blitz

Não podia ter terminado de forma mais brilhante. O tremendo concerto de Ben Harper and The Inocent Criminals depois do surpreendentemente jovem Neil Young devolveram os pontos perdidos ao festival que no dia anterior baixou a fasquia com concertos demasiado antagónicos e uma prestação abaixo das expectativas da not so alive lenda viva do folk rock. Aliás o que valeu a Bob Dylan foi ter mudado o registo (para um ritmo mais blues) que fez com que a prestação da banda compensasse a voz desfalecida e prestação descaracterizada do senhor. Young esse sim em grande forma e Harper uma presença irrepreensível. O homem que se atreveu a fazer um dueto com o público e teve fenomenal feedback - ou terá sido apenas Good Luck (Boa Sorte)? -, e nos fez estender as mãos e gritar ao rubro que é possível mudar o mundo With our Own To Hands.

Infelizmente do palco secundário pouco vi. É uma gestao complicada de fazer. De Gossip, que actuaram ao mesmo tempo que Neil Young no palco Metro On Stage, só consegui ouvir ao longe os últimos pujantes acordes de Standing in the Way of Control e Cansei de Ser Sexy e Nouvelle Vague nem vê-los. Nem eu nem ninguém, as primeiras adiaram e os segundos tiveram o voo cancelado. Bad luck. Mas mesmo com os percalços o saldo é positivo, acho francamente que o recinto está bem conseguido, bem como a organização. Aliás o voto de quem veio de fora - e foram muitos - é óptimo ao que consta. Francamente o que mais desaponta é mesmo o público. Na última noite até apeteceu lançar um manifesto contra as pessoas que não sabem respeitar quem assiste um concerto e insiste - quais bichos carpinteiros - em mover-se de um lado para o outro. É oficial, o público dos festivais já não é o que era. A música deixou de ser o objecto mais desejado, em troca de brindes, passatempos, telemóveis, fotografias, etc, etc, etc. Enfim, valha-nos quem sabe e aproveita.

Alive I

•Julho 11, 2008 • 1 Comentário

Foto: R. Carmo - Blitz

É inegável, o festival está optimus e não é só de nome. O Alive voltou ao Passeio Marítimo de Algés em grande estilo. Apesar de apostarem cada vez mais nas iniciativas paralelas aos concertos, algo que me ultrapassa um bocado, o espaço está colorido, cuidado, bem plantado (à parte da localização não ser de todo ideal em termos de acessos). Quanto a concertos não assisti a todos, já cheguei tarde, mas sem dúvida a presença dos Gogol Bordello ficará na memória de muitos, mais não seja pela energia da música e a poderosa presença do líder Eugene Hütz. Uma presença saudável no festival. Já os The Hives se deixassem o ego de lado por mais de 5 minutos não perdiam nada. Uma prestação francamente menor que aliás me levou a espreitar os simpáticos Hercules&Love Affair ao palco Metro On Stage, do outro lado do recinto. Palco aliás inesperadamente mais pobre sem CSS.

Foto: P.Ventura - Expresso

Foi uma das poucas imagens ‘permitidas’ do concerto - sim, como Bob Dylan e outros tantos no concorrente Super Bock Super Rock proibiram ou limitaram o registo visual do concerto -, e mesmo não sendo de todo elucidativa do ‘tamanho’ do concerto (nem do próprio Zach) mostra o espírito da coisa. Os Rage Against The Machine deixaram-nos à míngua de conversa - só nos dirigiram a palavra, sem ser através da música, para prestar uma homenagem a José Saramago precedida de uma Internacional algo inesperada - mas comportaram-se à altura das expectativas. Tom Morello então, virtuoso na guitarra, rebentou a escala. Os míticos êxitos como Bombtrack, Guerrilla Radio e, claro, Killing in the name of caíram certinhos e direitinhos no goto de milhares no Passeio Marítimo de Algés. A mim soube a revival, sobretudo de uma energia que já não se repete frequentemente, mas que quando acontece ganha sem dúvida um sabor diferente. Quanto à banda, parece que a reunião é tão efémera como o concerto, que nem teve direito a encore. Corre que o Zach já anunciou nova formação.

Para quem quiser saber mais, excelente artigo no Público.

What better place than here, what better time than now?

•Julho 10, 2008 • Sem Comentários

Rage Against The Machine

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About vengeance, a badge and a gun
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rip the sistem
I was born to rage against ‘em »

Hoje à noite no festival Optimus Alive!.