Kings of Convenience, CoolJazzFest - Cidadela de Cascais
Finalmente…aconteceu. Depois de Casa (da Música) cheia no Porto os meninos nerds do indie folk e vozes de mel chegaram Cascais. O cenário era perfeito. Num ambiente mais do que intimista, ao ar livre e em noite de Verão, os Kings of Convenience tocaram-nos…a alma. Com mais temas novos do que clássicos o deleite foi o mesmo. Mas Erlend Oye e Eirik Glambek encantaram não só com o talento como com as posturas de ambos que curiosamente se complementam. Torna-se óbvio depois dos primeiros temas que Glambek lidera a condução das músicas, mas o domínio das atenções é todinho de Oye. E a personagem com ar de desenho animado não chama as atenções apenas pela cabeleira ruiva e os óculos retro mas pelo talento como entertainer. Uma postura simpático-cómica que durou até ao fim do espectáculo e a certo ponto até fez estragos quando Oye se entusiasma demais nos acordes e desarranja a guitarra.
«Somos os Kings of Convenience. A parte da conveniência justifica-se em parte porque quando vamos tocar a algum lado apenas precisamos de levar duas guitarras conosco. Porque em 8 anos nunca nenhuma falhou não usamos suplentes. Esta noite foi a prova em contrário», gracejou Glambek. E a verdade é que nem chegou a ser assim tão inconveniente. A imprevista mudança de alinhamento foi superada pelos artistas de forma notável, isto quando já eram 4 em palco - juntaram-se a eles um violinista e um contra-baixista. Sem esquecer o instrumento extra de Oye, um mouth trumpet verdadeiramente espectacular (sim, o homem de repente parecia que tinha engolido um tropete, está registado aqui).
Mas a cereja no topo do bolo chegou quase no fim. Além de finalmente chegar Misread, e depois de saborear I’d Rather Dance With You, no encore Glambek apareceu sozinho com a guitarra e cantou, em português, Corcovado de Tom Jobim. Os olhos piscavam incrédulos. Para logo se desmancharem a rir com um a versão improvisada de Oye a descrever, no mesmo ritmo mas já em inglês, a história da viagem de comboio do Porto a Cascais. Terminou em «belezaaaa…», concerto e música. Provavelmente a única palavra em português, além de “obrigado”, que o norueguês sabia dizer. Para quem não se pode arrepiar lá, o momento também foi eternizado aqui.
Palavras para quê? Só faltou mesmo a Know-How mas a gente perdoa. Como não??
Foto: Claudia Costa (Diário IOL)












