a miúda do telefone

Assistir a um filme português no cinema já é obra para mim, quanto mais em ante-estreia VIP. Call Girl’, de António call.jpgPedro Vasconcelos, não é mau de todo. A realização não é genial mas é boa. Peca pelo fraco argumento, previsível, repleto dos já usais palavrões excessivos – a conjugação do verbo foder está lá toda, e repete tempos, para quem não tenha entendido à primeira -, que enfim, recordam-nos que há coisas que nunca mudam. A ‘americanization’ do nosso cinema comercial continua parva e ridícula, mas apesar disso as interpretações ressalvam a história. A Soraia Chaves ganha o mérito além curvas, porque Call Girl explora o corpo, mas ela explora a interpretação. Não fosse o papel dela o de prostituta. De resto destaco um Ivo Canelas armado em Reservoir Dog «muito fodido» que vale umas boas graças, um magnífico Nicolau Breyner no papel de autarca mais corrompido que corrupto em crise de meia idade, e até uma aparição deliciosa – e esquerdelha – de Raul Solnado. O filme vê-se, mas na memória fica sem dúvida a noite. Só porque não é todos os dias que me sento umas filas atrás do genérico inteiro.

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About Filipa Queiroz

Jornalista. Nascida em Coimbra, criada em Braga e a viver em Macau.

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