Memórias fotográficas

De olhar expectante, no silêncio da ditadura, faziam as malas rumo a uma vida melhor. De comboio, carro ou a pé; o salto oficial ou clandestino de quase um milhão de portugueses em direcção a França foi captado pela objectiva de alguém sensível ao sofrimento de um estrangeiro num país que não lhe pertence.

O fotógrafo e activista social Gérard Bloncourt apresenta pela primeira vez em Portugal o espólio fotográfico inédito que lhe demorou décadas a reunir. Expulso do país de origem, o Haiti, aos 19 anos por defender a democracia, Bloncourt – também escritor e pintor -, decidiu dedicar grande parte da sua vida a testemunhar o fenómeno social do êxodo migratório dos portugueses para França, na década de 60. Hoje, aos 81 o fotógrafo recorda a vivência nas bidonville (bairros de lata) de Champigny e Saint-Denis como «verdadeiramente sórdida». Ao trabalho do fotógrafo -parte dele publicado na imprensa progressista da época -, juntaram-se na época escritores e movimentos associativos solidários com a causa dos emigrantes de modo a alertar a opinião pública e a pressionar o poder político. Na exposição ‘Por uma vida melhor’ também um filme e um documentário do realizador José Vieira, ele próprio emigrante em França, completam o retrato histórico exposto no Museu Colecção Berardo, no mês em que o país celebra 34 anos de liberdade.

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About Filipa Queiroz

Jornalista. Nascida em Coimbra, criada em Braga e a viver em Macau.

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