Marrocos

Sobre rodas e sobre o mar, em 35m passamos de Tarifa a Tânger. Que é como quem diz da Europa para África. Feia, caótico e pouco pitoresca, a antiga cidade fenícia obriga a fazer dela apenas local de passagem, rumo a noroeste.

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Chef Chaouen fica nas montanhas Rif. A duas horas de carro de Tânger, do caminho é inevitável reter as primeiras lições: 1º não fazê-lo de noite; 2º ignorar eventuais investidas de outros condutores.

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Caiada de branco e azul, o nome, Chef Chaouen, significa literalmente “a olhar para os cornos”. Lá que tem muitas vacas tem, aliás a actividade pastoril abunda por todo o país. Com uma bela medina repleta de comércio tradicional do mais económico e irresistível, tem ainda um forte que, curiosamente, foi construído para proteger a população das invasões dos portugueses.

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Para dormida aconselho vivamente o Hotel Madrid. Central, asseado, bonito e a bom preço. Regateado, claro. Como tudo, aliás.

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A viagem pelo interior é fabulosa. Longe do deserto, é um convite à meditação em tons de verde e azul. Dica: vai muito bem acompanhada com um bom disco de jazz.

dscn0620Na grande cidade impera não só o rei, cujos posters espalhados por todos os lados não o fazem esquecer, como o caos perfumado a combustível. Fes divide-se entre a zona moderna e a zona histórica.

dscn0719Entre muitas outras coisas, a velha Medina esconde, por entre as suas 9 mil ruas, autênticas fábricas de curtição de peles e a mais antiga universidade do mundo em funcionamento. Dica: não entrar sem um guia oficial, há vários disponíveis em cada uma das 14 portas.

dscn0697Como a universidade e a biblioteca, as mesquitas, locais de reza e purificação, estão, infelizmente, interditas a não muçulmanos.

dscn0703Apesar da confusão, do mau cheiro e até do cansativo regateio, a Medina é o mais apelativo mercado onde já estive. E tendo em conta os preços, altamente volúveis, o talento dos comerciantes, e a qualidade dos materiais manufacturados – actividade em que 40% da população investe o seu tempo – é preciso atentar ao perigo que as nossas finanças correm naquele lugar.

dscn0752Perto de Meknes a surpreendente Volubilis. Cidade romana em ruínas declarada Património Mundial da UNESCO em 1997.

dscn0830À beira-mar plantada, Rabat é a capital que mantém as muralhas antigas a dividir a zona antiga da zona moderna. Mais monumental, mais moderna, e, consequentemente, mais cara, tem alguns monumentos que valem a pena a visita como o Portão de Oudaïa, a Torre Hassan, o Mausoléu de Mohamed V e a Medina.

E depois de 5 centenas de fotos e mais de 2000 km, entre estes e outros detalhes de uma road trip improvisada, fica o registo de uma semana sem computador, sem internet, e durante a qual nunca se falou em trabalho, em desemprego, em crise ou política nacional.

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About Filipa Queiroz

Jornalista. Nascida em Coimbra, criada em Braga e a viver em Macau.

2 comments

  1. Parece estar a ser uma bela aventura. Aproveita. Eu estive em Fez há um ano e adorei. Existe uma riqueza de outro nível nesse início de África. Aproveitem os passeios no Atlas, são deliciosos. Boas aventuras.

  2. Nuna

    Bela foto-reportagem! Sucinta, apelativa e elucidante.
    Em 5m é possível ficar com uma boa ideia do que foi esta aventura.
    Shukram 😉

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