Ruta Vizcaya e Cantabre

Portugalete

Em busca de um tecto sob o qual dormir, o nome inspirou familiaridade e foi na tranquila vila costeira que se encontrou alojamento económico e alternativo à sobrepopulada Bilbao que por estes dias recebia as festas da cidade. Com acesso via metro à cidade grande, em Portugalete descobri a curiosa Puente de Viscaya, também chamada de Puente Colgante (suspensa, em português) que faz a união entre as margens do rio Nervión. Foi inaugurada em 1993 e é Património da Humanidade.

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Bilbao

No primeiro dia útil, o inevitável Guggenheim. Lá, onde a arte respira em cada parede, ou antes em cada escama, da magnífica obra de Frank Gehry afundada nas paredes verdejantes de Bilbao.

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Há muita arte no Guggenheim de Bilbao, mas de toda ela reti dois nomes: o explosivo Cai Guo-Qiang, cujos projectos é possível espreitar aqui apesar de impressões como aquela provocada, por exemplo, pela obra Head On serem irreprodutíveis por palavras ou fotos.

Também o inspirador Richard Serra, cuja entrevista, que passava em looping no museu, e que passo a partilhar em baixo, aconselho vivamente – sobretudo a quem gosta de viver e pensar a Arte:

Nas janelas não passam despercebidas na paisagem urbana as bandeiras independentistas, mas quanto mais a noite caída menos consegui perceber da cidade que entretanto se enchia de gente, sobretudo na zona histórica do Casco Viejo, para mais uma noite de fiestas.

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San Sebastian

Donostia, em euskera, está recortada no golfo de Viscaya e é a formosa capital da província de Guipúzcoa. Impagável a paisagem sobre a Bahía de La Concha e o ar aburguesado da cidade com o toque de requinte das bicicletas e as ruas perfeitamente limpas decoradas a esplanadas e pastelarias (sim, porque ao contrário do resto dos espanhóis, os bascos partilham connosco a costela doceira). Ficou a vontade de voltar. Quem sabe no Festival Internacional de Cinema.

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Santander


Precisamente do lado oposto, a uma hora à direita de Bilbao, fica Santander. À beira mar plantada. Também ao contrário de San Sebastian, ali o clima enfeiou-se e arreganhou os dentes, mas não venceu a vontade de conhecer a capital da Cantábria. Como a outra, é candidata a Capital Europeia da Cultura em 2016. O belo passeio marítimo compensa a vulgaridade da cidade, cuja zona histórica foi devastada por um violento incêndio há cerca de meio século. De pé ficaram o banco original, e a catedral. E quantas imponentes casas de banqueiros (e um volumoso casino) se vêm por ali, a contrastar com as moradias simples dos pescadores.
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Santillana del Mar
Como disse um amigo “No es santa, no es llana e tampoco tiene mar” mas é uma encantadora vila histórica que vale a pena conhecer pelo caminho. Perdida no meio do imenso campo verde, é um excelente ponto de paragem. Excelente para a compra de produtos artesanais da região.

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E 4 dias, 2040 km, boas estradas e alguns trocos em portagens depois (aaah, Espanha) de volta a Lisboa. Algumas valentes calorias a mais, mas o papo cheio de aventura e o mais incrível é ter sido por menos dinheiro do que se fosse passar o fim-de-semana ao Minho.

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About Filipa Queiroz

Jornalista. Nascida em Coimbra, criada em Braga e a viver em Macau.

2 comments

  1. Pingback: Regresso, numa edição de boa capa : Húmus

  2. Eu também andei por Espanha, mas no lado oposto: Madrid, Segovia, Ávila…

    Reportagem no blog.

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