Singapura

Não tinha grande ideia sobre Singapura. E a que tinha, antes de desembarcar por terras do Oriente, não era a melhor. Dinheiro e betão. Pensava eu. Mas é conhecendo que se quebram preconceitos, e mais do que um microestado, Singapura é um microcosmos da Ásia, demasiado sui generis para ser ignorado.

Local de cruzamento entre povos do sudeste asiático – sobretudo a cidade de Singapura, onde concentrei a minha viagem – a ex-colónia britânica e importante porto da Rota das Especiarias, tem cerca de 5 milhões de habitantes e quatro línguas oficiais: chinês, malaio, inglês e tamil.

Quinto país mais rico do mundo em termos de PIB per capita, praticamente não tem estações do ano (as temperaturas mantém-se à volta dos 30 graus) e é célebre pelo seu governo conservador e as duras restrições às quais submete toda a diversa população que coabita sob a sua tutela. Álcool e tabaco com taxas altíssimas, pena de morte para posse e/ou tráfico de droga, fora as pesadas multas para quem infringir a boa circulação, rodoviária ou pedonal. Proibido mascar chiclete.

Mas essas são as partes más. Porque depois há muitas boas. A primeira é a cor verde que pinta a maior parte da cidade, a começar pelo extraordinário Jardim Botânico.

E os contrastes não se ficam pelo melting pot social, porque a nível arquitectónico a cidade também é verdadeiramente surpreendente. A primeira noite levou-nos até à zona de Esplanade, na Baía da Marina de Singapura.

Mas se podemos adormecer com as encandescentes luzes dos edifícios e a música dos bares ou casas de espectáculo que abundam em torno da Marina, também é possível acordar e sentir o cheiro a caril e especiarias começando o segundo dia de viagem com um pequeno-almoço no bairro de Little India.

Como o próprio nome indica, é aqui que se aglomera grande parte da comunidade indiana de Singapura. Uma versão, dizem (e eu acredito), mais asseada do que a original, mas ainda assim com um toque genuíno que delicia qualquer forasteiro.

O Templo Sri Veeramakaliamman é local de visita obrigatória. Para mim um dos momentos mais marcantes de toda a viagem. Pelo que salta à vista.

Uns quarteirões mais à frente, fica o Arab Quarter, cujo ex-libris é a Sultan Mosque bem como todos os kebabs, lenços e túnicas a que for possível deitar a mão.

De volta ao metro, outra vez o primeiro mundo. Centenas de pessoas circulam em todas as direcções, sempre de forma ordeira, quase coordenada, e um ar pacífico. Hospitabilidade e prestabilidade: 100%.

And now for something completely different, ou não: Chinatown. Não que seja difícil encontrar o que quer que seja de chinês em qualquer parte da cidade, afinal são a maior fatia da população, mas ali concentram-se milhares de corredores e boutiques com TUDO o que se possa imaginar, bem como alguns templos.

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E os contrastes ainda não se ficam por aqui. Depois de uma cerimónia budista, apanhada por acaso, o calor puxa a um banho na praia de uma das maiores das 63 ilhas que compõem o Estado: Sentosa.

Engraçada mas algo artificial, Sentosa será a meu ver mais direccionado para famílias com crianças e turistas bem endinheirados. Um parque de diversões, que recentemente recebeu a sua maior atracção: o primeiro casino de Singapura.

A noite distribui-se por vários recantos. Na foto em cima, por exemplo, uma belíssima zona de bares e restaurantes, construída no jardim das traseiras de uma igreja protestante. A animação nocturna concentra-se na zona de Colonial District, também célebre pelas 962349875000 lojas e os edifícios que variam entre os arranha-céus e as casas ao estilo vitoriano – herança britânica. Como o cricket.

Boat Quay, Clarke Quay (zonas nocturnas), parques, museus – o tempo só permitiu conhecer o Museu das Civilizações Asiáticas e recomenda-se -, ficou de fora o célebre Zoo, e Night Safari, adiados para um possível (diria provável) regresso à também chamada Lion City, cidade do Leão.

Reza a lenda que um príncipe malaio rebaptizou o território, antigamente conhecido por Temasek, depois de, ao aproximar-se do seu porto, avistar um leão ‘Merlion’, híbrido que mistura a cabeça do animal com corpo de peixe. Desde então, chamou-a ‘Singa (‘leão’ em malaio) pura’  (‘cidade’).

  • Sri Veeramakaliamman Temple, 141 Serangoon Road, [1]. Little India’s busiest and oldest temple, dating back to 1881 — although the present structure was completed in 1986. The temple is particularly busy on Tuesdays, Fridays and Sundays. Be sure to take your shoes off before venturing inside. Free.  edit
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About Filipa Queiroz

Jornalista. Nascida em Coimbra, criada em Braga e a viver em Macau.

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