Macau indiependente

– No que toca a financiamentos, acha que os projectos devem ser dependentes dos dinheiros do Governo?
E.K. –
Fizeram-me mais ou menos a mesma pergunta em 1998. Respondi que o meu objectivo é ter menos fundos governamentais a cada ano, depender cada vez menos do Governo, porque isso significa que posso sobreviver por minha conta. Claro que teremos de trabalhar duro, artisticamente e também no marketing daquilo que fazemos. Hoje continuo a achar o mesmo. Porém, acho que o Governo tem de mudar a sua política. Neste momento tenta fazer tudo, apoiar toda a gente, e é uma situação em que todos perdem. Devia haver um plano a longo prazo que direccionasse os recursos, projectos desenhados e um trabalho mais próximo com produtores independentes. É como quando o Governo diz que vai apostar nas indústrias criativas. Isso é demasiado grande e ambicioso! Devemos pensar no que a nossa cidade precisa, nas suas forças e fraquezas.
.

– Quais são as fraquezas, do que é que Macau precisa?
E.K. –
Macau precisa de especialistas, mas temos de escolher. Quem deve vir? Não aqueles que têm dinheiro e podem comprar a sua permanência, como acontecia antes. Temos de aprender com essas pessoas, têm de acrescentar algo a Macau. Estivemos muitos anos a viver relaxados mas, nos últimos dois anos, as coisas mudaram e estamos a ficar para trás. Por um lado queremos proteger a nossa sociedade, mas não temos os talentos necessários. Os estrangeiros chegam e podem mudar-nos com facilidade. Porquê? Porque não estamos preparados. Se não trabalharmos e aprendermos, arriscamo-nos a que sejam os que chegam de fora a controlar tudo em Macau, porque as pessoas daqui não são suficientemente fortes. Nas artes, temos de investir na gestão. Temos escolas de dança, de teatro, de música mas não temos ninguém a preparar-se para gerir estas actividades. E isso é muito importante. O meu trabalho também é esse, de ser manager artístico: tenho de produzir projectos para sobreviver e é por isso que trabalho com os artistas e lhes dou a oportunidade de desenvolverem as suas actividades. Procuro financiadores que lhes permitam trabalhar e é assim que temos de agir, juntos. Não posso fazer o meu trabalho sem eles mas também nada seria possível sem a parte comercial. Sou a ponte entre essas duas realidades. Para já, temos muito poucas pessoas a fazer isto.


Excerto da interessantíssima entrevista de Erik Kuong ao jornal Ponto Final, onde o produtor cultural autónomo e ex-funcionário e programador do Centro Cultural de Macau fala sobre o estado da sétima e de outras artes em Macau.

Ler na íntega aqui.

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About Filipa Queiroz

Jornalista. Nascida em Coimbra, criada em Braga e a viver em Macau.

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