Vinte e cinco

Cantando é como se dissesse:
Estou aqui.
Cantando eu nego o que me nega
Acto de amor
Coração perpendicular ao tempo.
Cantando é como se dissesse:
Estou aqui.
Na multidão que está dentro de mim.
Recuso a morte cantando
Recuso a solidão.
Canção casa de mundo
Viagem do homem para o homem
Meu pedaço de pão rosa de Maio
Criança a rir na madrugada.

Pensemos em Abril, em Liberdade, em Portugal, em Zeca. Francisco Fanhais esteve em Macau, a convite da Casa de Portugal, e trouxe os cravos com ele. Fanhais, 69 anos,  padre, expoente máximo dos católicos progressistas em Portugal nos anos 60.

Proibido de cantar, de exercer o sacerdócio ou leccionar, regressou do exílio em França em Abril de 74 direitnho às campanhas de dinamização cultural do MFA e acabando por juntar a voz e a guitarra à do Zeca Afonso.

Por admirar tanto aquele que foi, para mim e para muitos, o maior cantor português, Fanhais continua a reproduzir as canções imortais do mestre e a emprestar a voz a outros nomes que gritaram no papel a inquietação, a revolta e o sabor da liberdade como Natália Correia, Sophia Mello Breyner e António Aleixo.

E assim na noite de 25, no pequeno e singelo Teatro D. Pedro V, em Macau, juntou-se todo um contente Portugalinho, mais ou menos saudoso mas sobretudo satisfeito por não deixar passar em branco o dia que tem sabor a primeiro. O primeiro do resto das nossas vidas. Mesmo daquelas que, como a minha, ainda não o eram.

Advertisements

About Filipa Queiroz

Jornalista. Nascida em Coimbra, criada em Braga e a viver em Macau.

Leave a Reply

Fill in your details below or click an icon to log in:

WordPress.com Logo

You are commenting using your WordPress.com account. Log Out / Change )

Twitter picture

You are commenting using your Twitter account. Log Out / Change )

Facebook photo

You are commenting using your Facebook account. Log Out / Change )

Google+ photo

You are commenting using your Google+ account. Log Out / Change )

Connecting to %s

%d bloggers like this: